Cocktail de drogas para AIDS produz resultados confusos

 

 

As drogas mais poderosas no combate a AIDS rejuvenecem  a habilidade do sistema imune em lutar contra outras infecções, mas não libertam o organismo da replicação do virus causador da AIDS, de acordo com dois estudos publicados recentemente (JAMA, 2/11/99).
        Pesquisadores tem explorado o impacto a longo prazo sobre as pessoas que tomam o cocktail anti-AIDS, chamado terapia anti-retroviral altamente ativa (apelidado em inglês de HAART, highly active antiretroviral therapy), que tem provado ser efetivo em interromper esta doença fatal que degrada o sistema imune do portador. Em um estudo, os sistemas imunes de 14 pacientes aidéticos, que estavam tomando o cocktail, foram reforçados o suficiente para parar a progressão da retinite causada pelo citomegalovirus (CMV), que muitas vezes leva à cegueira. Aqueles que receberam a HAART no estudo não precisaram receber as caras medicações específicas para o CMV. "Retinite por CMV não progride em pacientes que estão recebendo a HAART, sugerindo que de algum modo a HAART tem um papel revigorante para o sistema imune, " disse Carl Kupfer, diretor do Instituto Nacional da Visão, que conduziu o estudo em colaboração com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, ambos nos Estados Unidos. "Com a HAART, o sistema imune rejuvenecido controla efetivamente essa infecção muito séria e não precisa da ajuda das medições anti-CMV específicas. Sistemas imunes mais fortes respondem melhor ao HIV e outras infecções, permitindo aos pacientes viverem mais tempo, " explicou ele em uma apresentação. Mas em um estudo separado pelos cientistas do Jefferson Medical College na Filadélfia, observou-se que o virus pode ser mais teimoso do que se pensava previamente. Pesquisas anteriores sugeriram que a HAART suprimia o vírus da AIDS ao ponto deste se tornar latente e não mais replicar no organismo, não infectando outras células ou outras pessoas. Mas usando técnicas ultrasensíveis para examinar os fluídos do corpo a nível molecular, estes pesquisadores encontraram vírus ativos em pacientes que tinham tomado o cocktail por meses ou mesmo anos.
       Outros estudos tem mostrado que pacientes aidéticos que  param de tomar o cocktail veem o vírus retornar aos níveis de antes do início do tratamento. " Isto nos ensina algo se estamos tentando erradicar o virus," disse o pesquisador Roger Pomerantz, que conduziu este último estudo. " Nos precisamos ser capazes de parar a replicação do vírus antes de pensarmos em erradicá-lo." 
       Estes dois estudos foram publicados na edição de 02/NOV/1999 do Journal of American Medical Association (JAMA)
 

http://www.cnn.com/HEALTH/AIDS/9911/02/aids.drugs.reut/index.html